Projeto da Coletiva Abayomi, apoiado pela AMNB, pauta o autocuidado individual e coletivo de ativistas negras

A organização foi contemplada pelo Eixo 1 – Autocuidado Institucional  do Edital de Fortalecimento Interno da AMNB

A Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba é uma organização que atua no enfrentamento do racismo, com olhar específico para a violência contra mulheres negras e genocidio da população negra. Criada em 2016 – no contexto pós Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, em Brasília – e filiada à Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) desde 2019, a Abayomi promove ação direta com mulheres quilombolas, ribeirinhas, mulheres de terreiro, marisqueiras e trabalhadoras domésticas.

A organização foi uma das contempladas pelo Edital de Fortalecimento Interno da AMNB e, com o apoio recebido, está desenvolvendo o projeto Dudu Itoju para a Abayomi, que oportuniza momentos de autocuidado coletivo e individual, realizando reflexões sobre a importância do autocuidado de ativistas negras para incidir na melhoria da saúde física e emocional das integrantes e assim, potencializar a organicidade da Abayomi e na sua ação política. O projeto compõe o Eixo 1 do edital, que compreende iniciativas relacionadas ao Autocuidado Institucional

Terlúcia Maria da Silva, ativista responsável pelo projeto, acredita que o autocuidado é fundamental para as mulheres negras. Segundo ela: “A gente precisa entender que nós não somos máquinas, nós não somos essa força toda, a gente precisa também de cuidado. Então, de 2020 pra cá, a Abayomi tem feito muita reflexão nesse campo, provocado e desenvolvido ações internas para esse fortalecimento”.

Para Terlúcia, o projeto tem sido essencial para “a mudança da mentalidade, da forma como cada uma tem de se ver, de se compreender nesse mundo”. Ela comenta que durante as primeiras ações do projeto houve uma sensação de estranhamento por parte das ativistas, provocada pela ideia de que não estavam fazendo nada: “Era quase como se estivéssemos fazendo uma coisa errada, porque a gente fez uma retirada e fomos pra uma praia pra não fazer nada. Mas esse ‘não fazer nada’ significava estar se cuidando e fazendo isso de forma coletiva também”, explica Terlúcia.

As atividades do projeto tiveram início em fevereiro, com encontros de autocuidado coletivo e planejamento das ações da organização. Atualmente, as ativistas da Abayomi estão na fase de atividades individuais de autocuidado proporcionadas pelo projeto, como escalda pés e reflexologia podal, barra de acesso e massoterapia. Também está prevista uma imersão coletiva às práticas de autocuidado, conduzidas pela equipe da Áfya – Centro Holístico da Mulher.

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