Nós, mulheres negras articuladas em legítima defesa da nossa vida e de nossas comunidades e territórios, erguemos a voz para reafirmar o compromisso com o projeto histórico do Bem Viver, a soberania popular e a e a ampliação dos espaços de diálogo sobre o público e o comum até que se estabeleça um novo pacto civilizatório. Nossa marcha não se detém.
Durante séculos, a política institucional foi desenhada para nos manter nas margens. No ambiente político da campanha eleitoral de 2026, celebramos a presença das mulheres eleitas nas assembleias legislativas estaduais e na câmara federal, dentre as quais 34 são negras, em sua maioria jovens. Elas venceram em condições adversas, suplantaram o racismo, a misoginia e outras formas de supremacia, nas redes e nas ruas. São o resultado da luta histórica, da organização comunitária, do acúmulo histórico e da incidência contínua do movimento de mulheres negras. Saudamos com vibração o protagonismo da juventude negra, que tomou as ruas, as redes e as novas dinâmicas políticas com coragem, inovação e esperança.
Estamos ativas nas ruas e redes, pois compreendemos que é imperativo barrar o avanço da extrema direita, supremacista, racista, misógina, cis heteronormativa, patriarcal, cujo projeto aponta para o aprofundamento da violência e genocídio, das desigualdades e da destruição ambiental, pelos garimpos e mineração predatória. Este projeto aponta para especulação imobiliária no campo e na cidade, a conflagração, armamentismo e militarização da vida social, impondo a coação, o medo, a violência . É necessário barrar seu entreguismo e seu colaboracionismo com dinâmicas de neo-colonização e imperialismo, que visam ferir a soberania do Brasil para locupletar interesses estrangeiros e do capital . Há um ponto de atenção sobre o avanço deste grupo político sobre a Câmara e o Senado. O cenário exige mobilização social permanente, antes e depois das eleições.
Afirmamos que é impossível pensar alternativas políticas para o Brasil sem as mulheres negras: nosso lugar é na centralidade da participação e do poder. Mantemos nossa permanente ação política e social, asseverando nosso combate contínuo a qualquer tentativa de retrocesso autoritário. Permanecemos mobilizadas e ativas, nos organizando de forma criativa em nossos ambientes comunitários e sociais e em redes por todo o Brasil.
Nós, as Mulheres Negras pelo Bem Viver compreendemos que a reeleição do Presidente Lula é a tarefa e a tática política urgente e necessária para este momento crucial da história política no Brasil. Seguiremos em Marcha, pois o que temos para o próximo dia 25 de outubro é a decisão e a vitória do campo que abre possibilidades para o diálogo sobre a reparação histórica e o bem viver.
Brasil, outubro de 2026.
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB)




