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"A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras tem como missão institucional promover a ação política articulada de ONGs de mulheres negras brasileiras, na luta contra o racismo, o sexismo, a opressão de classe, a lesbofobia e outras formas de discriminação, contribuindo assim para a transformação das relações de poder e construção de uma sociedade equânime."
Notícias
08/06/2016
Carta da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras/AMNB contra o Golpe de Estado em curso no Brasil
Diante da instalação ilegítima de um Governo Interino no país fruto de
desrespeito flagrante à Constituição brasileira e cenário de ataques ao estado
democrático de direito, nós, integrantes da Articulação de Organizações de Mulheres
Negras Brasileiras (AMNB), organização que, ao longo da sua história tem se pautado
pela luta de enfrentamento ao racismo, ao sexismo e todas as formação de
discriminação e pelos princípios basilares do Estado Democrático de Direito,
comunicamos que:
Repudiamos as iniciativas de impedimento da Presidente Dilma Rousseff, primeira
mulher a governar o país, sem que se provasse qualquer crime de responsabilidade
cometido por ela. Este processo é mais um atentado à democracia planejado e
operacionalizado por uma oligarquia de homens brancos, velhos e ricos, que sempre
atuou contra a vida e os direitos de mulheres e homens negras e negros, da juventude
negra, das comunidades quilombolas e indígenas, de lésbicas, gays, trans, de religiosas e
religiosos de matriz africana e de toda a população que luta por igualdade e justiça;
Não reconhecemos o Governo Interino do Presidente golpista Michel Temer. E
denunciamos seus ataques contra as medidas de justiça social em curso na última
década no Brasil, e sua subordinação aos interesses e ganância das corporações
multinacionais, do sistema financeiro e de grupos conservadores cristãos que atentam
contra as garantias constitucionais do Estado democrático e laico, relegando as políticas
públicas aos mandos e desmandos dos interesses de grupos políticos que visam ao
extermínio das populações mais vulnerabilizadas e o fim das políticas públicas de
inclusão social.
Nós que no dia 18 de novembro de 2015 Marchamos em Brasília ao lado de 50 mil
mulheres negras dos quatro cantos do país para exigir o fim do racismo e da violência e
pelo Bem Viver, estamos em luta por um outro Brasil, e nele não cabe o golpe
parlamentar em curso.
Com nossas cabeças erguidas, corpos livres e honrando a resistência histórica das
mulheres negras, nós da AMNB nos retiramos dos Conselhos, grupos de trabalho e
comitê nacionais em que temos atuado, como o Conselho Nacional dos Direitos da
Mulher ? CNDM, Conselho Nacional de Saúde ? CNS e Conselho Nacional de
Promoção da Igualdade Racial ? CNPIR, Conselho Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional ? CONSEA e do Comitê Técnico de Saúde da População Negra por
considerar que essas instâncias perderam, diante do golpe, seu papel de espaços de
mediação, participação social e afirmação democrática.
Seguimos na luta contra o racismo, o sexismo, a opressão de classe, a
lesbohomotransfobia e outras formas de discriminação, contribuindo para a
transformação das relações de poder e construção de uma sociedade equânime
Seguimos em Marcha pelas nossas ancestrais, por nós e por todas as jovens e mulheres
negras, contra o racismo, a violência e pelo bem viver.
Não ao Golpe!
Não ao governo golpista!
Pela restauração imediata do governo democraticamente eleito!
SEGUIMOS EM MARCHA.
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras ? AMNB
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